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Sabe aquele momento no cartório em que o tabelião começa a ler a escritura em voz alta, naquele tom monótono, e tudo o que você consegue pensar é no café frio da recepção ou na logística da mudança que começa amanhã? Pois é. É exatamente nesse instante que mora o perigo. Depois de meses pesquisando bairros, visitando lançamentos imobiliários e brigando por cada centavo na taxa do financiamento, a exaustão bate. E a pressa, que parece ser apenas um cansaço físico, acaba se tornando um dos custos invisíveis mais altos de qualquer transação.
Já vi muita gente boa, investidor experiente inclusive, assinar documento sem checar detalhes que parecem “burocracia boba”, mas que definem o futuro do patrimônio. O mercado imobiliário não perdoa o amadorismo disfarçado de agilidade. Assinar uma escritura com o coração acelerado para pegar as chaves é como saltar de paraquedas sem checar as tiras: você pode até chegar ao chão, mas o risco de um tranco desnecessário é gigante. O caso da “pequena” divergência na matrícula Lembro-me de um cliente, o Ricardo. Ele estava comprando seu primeiro imóvel residencial, um apartamento de cobertura em um bairro valorizado. O preço estava excelente, o proprietário tinha pressa e o Ricardo, com medo de perder o negócio, atropelou a conferência da certidão de ônus reais.
Na hora da escritura, ele mal ouviu quando o escrevente mencionou uma divergência mínima na metragem da área privativa em relação ao que constava no IPTU. Anos depois, quando ele decidiu colocar o imóvel à venda para fazer um upgrade, o novo comprador — bem assessorado por um corretor de imóveis criterioso — travou a venda. Aquela “bobagem” na documentação exigia uma retificação de área que custou tempo, honorários advocatícios e, pior, fez com que ele perdesse o timing de compra da casa nova. O lucro que ele imaginava ter com a valorização imobiliária foi parcialmente corroído por uma pressa lá de trás.